Até que a Sogra nos separe

Publicado em 21 outubro 2013

D. Gioconda, personagem marcante do ator Anderson Oliveira

D. Gioconda, personagem marcante do ator Anderson Oliveira

Dirigido pelo comediante carioca Anderson Oliveira, o espetáculo Até Que A Sogra Nos Separe traz as confusões de Dona Gioconda para perturbar o casamento de seu filho, Carlos Alberto, com sua nora, Bia. Dona Gioconda, uma típica matrona italiana, aterrissa em solo brasileiro para visitar o único filho. Ele e a esposa esperam que o encontro seja apenas uma breve reunião familiar, pois o casamento deles não vai muito bem e Dona Gioconda e a nora se odeiam. Então, a sogra aproveita a instabilidade do relacionamento para se mudar para a casa dos dois e separá-los de vez. Enquanto o casal tenta refletir sobre os desgastes da vida a dois, Gioconda coloca a casa de pernas pro ar com suas confusões. A visita inesperada do irmão de Bia, Mauricinho, completa o cenário caótico.

Confira Alguns Cliques do Espetáculo:
 

Algumas Críticas:
 
 

ATÉ QUE A SOGRA NOS SEPARE – RODRIGO MONTEIRO – CRÍTICA TEATARAL

BOM TEATRO EM ESPETÁCULO RUIM: “Atéque a sogra nos separe” é uma comédia romântica dessas muitas que se vê na televisão todos os dias, atendendo a um mercado próprio, movimentando a economia, preenchendo os espaços. Tem o seu valor e, como uma obra de arte, merece respeito e admiração. Escrita, dirigida e interpretada por Anderson Oliveira, tem como seu principal ponto positivo a despretensão e pouco deve ser cobrado de quem promete pouco. Uma comédia romântica é um gênero como qualquer outro a guisa dos gostos pessoais de cada um. Quem não gosta do gênero não vá ver uma peça dele. Aqui gosta-se de teatro seja em qual atualização for. Estamos dentro do realismo, mais especificamente, fruindo uma de suas muitas variações. Os acordos com o real além da narrativa precisam ser bem amarrados, a peça precisa garantir altíssimos graus de verossimilhanças para que as quebras desses acordos sejam manifestadamente opções estéticas relevantes ao desenvolver da história. A coerência interna é importante, porque é ela quem pode garantir o ritmo rápido que a dramaturgia necessita. Acreditando no visual, o espectador vai prestar a atenção na história. (Não é à toa que José de Alencar gastou quinze páginas descrevendo o rio Paquequer antes de apresentar Peri. Não é por nada que as emissoras de TV investem pesado em cidades cenográficas, direção de arte perfeita e alta tecnologia em qualidade de imagem.) Nesse contexto, o cenário de Luciano Heiras é o pior de todos os equívocos de “Até que a sogra nos separe”. Composto de três mini palcos, a ambientação não garante, em um só centímetro, a adequada relação com o real além da peça. Quando as cortinas se abrem e se vêem painéis grandiosos em madeira bruta, sem pintura, com pregos aparecendo, canos de metal à mostra e samambaias de plástico, encontram-se muito mais motivos para ir embora do que para ficar e assistir à história que será contada ali. No closet, há duas ou três peças de roupas. Na sala, um fundo vermelho de gosto duvidoso e uma mesa auxiliar com uma tolha igualmente vermelha. Na sala de jantar, um fundo laranja, mesa e cadeiras em madeira pesada. Os três ambientes estão separados entre si, a trinta centímetros do chão, de forma que os atores pulam de um estrado a outro, usando ainda a parte externa sem qualquer relação com a história. Nesse contexto visual complicado, fica difícil analisar com eficiência os figurinos, porque sua paleta de cores e variedade de texturas se misturam negativamente com a ambientação de forma infeliz. O mesmo se diz da iluminação. Vencendo o desafio de atravessar o grandioso cenário, é possível identificar a história escrita em parceria com Maria Clara Horta e os personagens. Um casal, Carlos Alberto e Bia, encontra-se em crise na iminência da separação. Inicia um flashback, partindo do primeiro encontro no corredor da faculdade (o velho e batido clichê: os dois se esbarram, livros caem.) quando se descobre que ela estuda teatro e ele biologia (Outra falha da direção de arte, Carlos Alberto está com um livro de teatro nas mãos e não faz menção alguma sobre isso. Em outro momento, ele tira o significado de uma palavra em português de um dicionário de inglês) e são, dentro do contexto, opostos que se atraem – ela fuma, bebe, não come carboidratos, é artista. Ele usa óculos, não tem vícios e é filho de uma dona de restaurante italiano. A história avança evidenciando as diferenças entre os dois que não o impedem de seguir adiante no relacionamento no melhor jeito “Eduardo e Mônica” de ser. Desafio após desafio, os dois seguem juntos e a dramaturgia, valorosa nesse aspecto, enche a escalada de momentos fortes: o vestido do casamento escolhido pela mãe de Carlos Alberto e a visita de Maurício, o irmão de Bia, são algumas passagens interessantes. Então, quarenta minutos após a peça ter começado, entra Gioconda, a mãe do marido, a sogra da esposa. A pergunta é: será que eles vão vencer mais esse problema? Com situações bem marcadas, um texto fácil e diálogos superficiais, a dramaturgia atende ao gênero e satisfaz quem acertadamente não esperou por conversas requintadas, frases com segundas intenções e piadas ácidas. O humor de “Até que a sogra nos separe” é rasteiro e isso, deus nos livre do preconceito, não é ruim: palavrões, escracho e malandragem sempre fizeram rir e devem ter respeitado o seu lugar na arte popular. O final é bastante interessante, providenciando à narrativa um novo desafio ainda maior, o que é positivo. A direção oferece um olhar equilibrado por sobre a construção dos personagens. Gioconda (Anderson Oliveira, a sogra), Maurício e Juan (André Sobral, respectivamente, o cunhado e o namorado) partiram de estereótipos e conseguem o riso do público com facilidade, estando em Oliveira os melhores momentos da peça pela sua presença vibrante. (Eles são as “quebras” dos acordos com o real de que se falou acima.) Já os protagonistas Bia (Fernanda Zau) e Carlos Alberto (Daniel Müller) são mais próximos do real além da narrativa, com mais marcas de profundidade e, por isso, os responsáveis pela dramaticidade. De um modo geral, todas as interpretações estão adequadas, agregando aspectos positivos à obra. A ideia mais sublime de teatro é a de que A interpreta B diante de C. Se o teatro aqui não aparece na sua melhor possibilidade, o grande culpado é um elemento visual, o que faz pensar sobre a distância entre o conceito de teatro e o conceito de espetáculo. “Até que a sogra nos separe” pode não ser um grande espetáculo, mas, sem dúvida, oferece um teatro que pode e deve ser aplaudido.

ATÉ QUE A SOGRA NOS SEPARE – ALESSANDRO DE MOURA – RIO NO TEATRO

A comédia “Até que a Sogra nos Separe” foi chegando aos poucos e construindo seu espaço na cena carioca. O espetáculo que tem texto e direção de Anderson Oliveira brilha no palco do Teatro Clara Nunes, na Gávea. A montagem vai em busca da risada e é um exercício de dedicação do elenco que se diverte sem perder o fio da meada. O texto de Anderson Oliveira coloca em cena um casal que enfrenta sua primeira grande crise, o detalhe é que para piorar o conflito uma hospede inesperada promete agitar as coisas: Dona Gioconda. Se trata de uma sogra manipuladora e intrometida, que aproveita a instabilidade do relacionamento para se mudar para a casa dos dois e separá-los de vez. Situações engraçadas surgem a partir da chegada de Gioconda, uma italiana chegada ao regalo das massas. A direção aproveita o elenco, planos e contra planos, abusa da comédia e aproveita exageros e cacos. A proposta é interessante e deixa o público a vontade. É incrível perceber a plateia interagindo com Dona Gioconda…É impossível deixar de falar de Anderson Oliveira também como ator que interpreta a sogra mais amada do Rio. Aplausos e mais aplausos para um dos comediantes mais incríveis desta cidade. Tempo, humor, silêncio…Anderson sabe aproveitar o palco e domina a cena a o público como poucos. No caso dos atores Daniel Müller e Fernanda Zau a consideração é que falta ritmo, energia, projeção vocal e articulação. Em muitos momentos não é possível escutar e entender o que ambos dizem. A cenografia é pobre, mas usual. Tem detalhes desnecessários que parecem apenas ilustrar ou enfeitar a casa do casal. O banheiro e closet não funcionam em cena, tendo em vista que para rodar o contra regra aparece mais que a própria mudança de espaço. O rapaz praticamente entra em cena. A solução seria assumi-lo em cena, fazer um ator girar o cenário ou até mesmo baixar um pouco a luz. Vale ressaltar que pouco se aproveita de luz e o mapa não parece ter sido montado. Um espetáculo que fica literalmente no jogo entre o público e Gioconda. Enfim, é importante dizer que é prazeroso visitar o restaurante da Mama! Tenham todos um bom espetáculo!

Confira o Vídeo do Espetáculo Clique Aqui

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